É pura: água de Jacutinga é considerada sem agrotóxicos segundo Ministério da Saúde 

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Diferente de todo o Brasil, a água que abastece Jacutinga foi considerada sem agrotóxicos, segundo dados revelados pelo portal portrasdoalimento.info.

Os dados são do Ministério da Saúde e foram obtidos e tratados em investigação conjunta da Repórter BrasilAgência Pública e a organização suíça Public Eye. As informações são parte do Sistema de Informação de Vigilância da Qualidade da Água para Consumo Humano (Sisagua), que reúne os resultados de testes feitos pelas empresas de abastecimento.

Na região, segundo dados do Ministério da Saúde , só Jacutinga, Ouro Fino e Borda da Mata possuem água sem agrotóxico.

Já no Brasil, foi encontrado um coquetel que mistura diferentes agrotóxicos  na água de 1 em cada 4. Nesse período (2014 a 2017), as empresas de abastecimento de 1.396 municípios detectaram todos os 27 pesticidas que são obrigados por lei a testar. Desses, 16 são classificados pela Anvisa como extremamente ou altamente tóxicos e 11 estão associados ao desenvolvimento de doenças crônicas como câncer, malformação fetal, disfunções hormonais e reprodutivas. Entre os locais com contaminação múltipla estão as capitais São Paulo, Rio de Janeiro, Fortaleza, Manaus, Curitiba, Porto Alegre, Campo Grande, Cuiabá, Florianópolis e Palmas.

O retrato nacional da contaminação da água gerou alarde entre profissionais da saúde. “A situação é extremamente preocupante e certamente configura riscos e impactos à saúde da população”, afirma a toxicologista e médica do trabalho Virginia Dapper. O tom foi o mesmo na reação da pesquisadora em saúde pública da Fundação Oswaldo Cruz (Fiocruz) em Pernambuco, Aline Gurgel: “dados alarmantes, representam sério risco para a saúde humana”.

Entre os agrotóxicos encontrados em mais de 80% dos testes, há cinco classificados como “prováveis cancerígenos” pela Agência de Proteção Ambiental dos Estados Unidos e seis apontados pela União Europeiacomo causadores de disfunções endócrinas, o que gera diversos problemas à saúde, como a puberdade precoce.  Do total de 27 pesticidas na água dos brasileiros, 21 estão proibidos na União Europeia devido aos riscos que oferecem à saúde e ao meio ambiente.

A falta de monitoramento também é um problema grave. Dos 5.570 municípios brasileiros, 2.931 não realizaram testes na sua água entre 2014 e 2017. Segundo o Ministério da Saúde, a responsabilidade pelo monitoramento de controle da qualidade da água é dos prestadores de serviço de abastecimento de água para consumo humano. Já a responsabilidade de cobrança pelos resultados desse monitoramento é da autoridade de saúde pública local. O acompanhamento desse monitoramento é realizado por meio das Secretarias Estaduais e Municipais de Saúde, e pelo Ministério da Saúde, a partir do Sisagua.

Todos os dados acima foram considerados fora do limite seguro na União Europeia e podem ser confrontados pelas respectivas prefeituras no Ministério da Saúde e Anvisa.

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