Sarney: os traços que encantam Jacutinga

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São poucos os moradores de Jacutinga que ao passarem por determinados locais da cidade, não tenham se deparado com alguma pintura, normalmente retratando alguma paisagem marcante do município ou alguma edificação antiga, que talvez nem faça mais parte do cenário atual, mas onde outrora se encontrava de forma esplendorosa. Algumas dessas obras fazem parte do vasto acervo de um artista, que se tornou local por força do destino.
Bem, o autor de algumas dessas pinturas, é o artista José Donizeti Marques, de 46 anos de idade. Ainda não o conhece pelo seu nome? Vamos tentar ajudar mais um pouco. Ele saiu da vizinha Ouro Fino e adotou Jacutinga como sua cidade do coração, onde já instalado há 17 anos. Reconheceu agora? Se ainda continua com dúvidas, com essa próxima dica vai impossível não acertar. Seu apelido vem desde a infância, quando por brincadeira fazia imitações de um antigo presidente do Brasil. Sim, exatamente ele mesmo é nosso escolhido para estampar nossa coluna, essa figura cativa do povo de Jacutinga, Sarney Marques.
Essa paixão pela pintura vem desde a infância, onde não podia ver um pedaço de papel e um lápis que corria desenhar e criar suas obras, que como qualquer criança eram incompreendidas por seus pais. O tempo foi passando e ele tornou esse hobbie em profissão, fazendo alguns trabalhos pontuais e em meados do ano de 1996, Sarney comprou sua primeira revista de pinturas em telas, seguiu passo a passo e assim saiu sua primeira tela. Logo após isso passou a aperfeiçoar sua técnica para chegar até o estágio em que se encontra hoje. Pouco tempo depois já estava de mudança para Jacutinga.
“Bom eu saí de Ouro Fino a quase 17 anos, pois a crise de emprego por lá estava cada vez pior e aqui em Jacutinga enxerguei novos horizontes, na minha área de atuação. Comecei então fazer alguns letreiros e painéis de lojas, antes disso ainda era permitido a pintura em muros com propagandas políticas, eu fiz muito disso também. Mas a minha grande paixão sempre foi pintar paisagens e construções antigas” explica Sarney sobre como chegou em Jacutinga.
Nesses quase anos em que mora aqui em Jacutinga, muitas foram as histórias deste solitário artista, já que escolheu não se casar e não tem filhos. Então ao longo de sua vida conseguiu se dedicar exclusivamente ao seu trabalho, hoje trabalha para a prefeitura municipal executando serviços de pintura de letreiros e de paisagens, como é o caso do muro que vem sendo decorado por suas obras na Vila Esperança. Mesmo com o tempo corrido ele consegue sempre se ajeitar e pegar um ou outro quadro para pintar em casa, mas sempre com encomendas, pois não gosta de fazer obras apenas para ficarem no estoque. O engraçado dessa história é sobre a confecção de suas telas, que se segundo ele, nunca foram compradas, ele mesmo produz as telas que irá usar. Salvo quando elas são encomendadas em um tamanho especifico, dentre todas as outras dificilmente teve alguma com o mesmo tamanho, sempre alguns milímetros maiores ou menores entre elas.

Sensibilidade
Quando questionado sobre o que mais gosta de pintar, ele respondeu sem titubear que os quadros de natureza viva, “adoro pintar paisagens, cachoeiras e prédios antigos, são coisas que me fascinam. Pois a natureza sempre irá se modificar, se eu fizer uma pintura de uma paisagem hoje, daqui a 10 dias aquele mesmo local já estará com uma certa modificação, fazendo com o que aquilo que foi pintado seja único, pois ninguém conseguirá ver o local daquela forma novamente. É isso que me fascina nesse mundo das pinturas em telas, poder gravar o tempo e levar para as pessoas o que elas não puderam presenciar”.
Como gosta de dizer ela não tem nenhuma formação acadêmica, mas tudo que aprendeu na prática, muitos com diplomas na parede, não tem nem a metade do seu conhecimento. Além de pintor ele também desenvolve uma atividade que hoje está muito depreciada pela própria população, ele tem um canal de notícias no município, onde procura sempre de maneira imparcial informar alguns problemas relacionados ao cotidiano da cidade e deixar a população por dentro dos eventos que acontecem nos entornos de Jacutinga.
Voltando para sua área de atuação, Sarney relembra sobre sua obra favorita, mas assim como as outras, não está mais com ele por se tratar de um pedido especial de uma cliente. “O trabalho mais grande que fiz, são as pinturas da Vila Esperança, mas sem dúvidas, o que mais me marcou foi a ‘Casa do Lago’, pois como tenho esse gosto por arquitetura, também poderia despertar o mesmo sentimento nos meus clientes. E de fato isso aconteceu, quando entreguei a primeira logo recebi um pedido para fazer a segunda, mas essa obra tinha significado muito especial, o cliente havia morado naquela casa durante a sua infância. O mais interessante dessa passagem é que, durante a sua infância no lugar da pavimentação havia uma vegetação e ele foi me contando através de narrativas e fui montando a imagem primeiramente em minha cabeça e logo após a transferi para a tela, ele gostou demais. Posso até dizer que ficou mais perfeita que a primeira que fiz olhando diretamente para casa”.
Como o próprio já citou ele não mantém nenhum acervo, mas estima que já foram pintadas mais de 300 telas, que hoje podem estar em qualquer canto do Brasil. Muitas ficaram aqui pela região mesmo, através de compras que foram feitas e muitos presentes que ele entregou a amigos, outras ele tem o conhecimento de que foram mandadas para Santa Catarina, quando vendeu alguns lotes durante a temporada de compras na cidade. Em se tratando de letreiros, seu maior trabalho foi um outdoor de 9×3 e quando o assunto é paisagens, já pintou muros com mais de 10 metros de comprimento.

Futuro
Alguns planos já estão traçados, como a possibilidade de um dia poder trabalhar somente com artes plásticas, ou seja, fazendo apenas suas pinturas em telas. Algumas outras pretensões estão sendo estudadas, mas ele prefere não divulgar ainda, pois entende que não é o momento ideal para tais revelações. Segundo ele revelou existe um projeto que também está em desenvolvido sobre a pintura de uma grande paisagem da cidade, que possivelmente será feita com tintas e efeitos 3D.
“Apesar da técnica adquirida nesses anos, eu nunca me dediquei integralmente a pintura artística, além de conciliar com letreiros comerciais, passei parte do meu tempo em outras atividades e nuca tive as telas como meu produto principal. Na verdade eu uso algum tempo pra pintar ou salvo encomenda, somente na prefeitura que estou tendo a oportunidade de trazer a arte para o meu cotidiano, vale lembrar que nunca investi na arte como carro chefe, pois eu gosto de diversificação e talvez por isso não tenha ainda uma espaço reconhecido nas galerias dos artistas mais renomadas pelo região” concluiu Sarney.
Esse artista é mais um das muitas “Gente que Faz” pelo nosso município, parabéns Sarney pelo lindo trabalho desenvolvido.

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